Ontem, dia 24 de maio, comemorou-se o dia nacional do café. Desde 2005 a data foi estabelecida pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) porque é nesse período de maio que se inicia a colheita do café no Brasil.

Mas a história dessa bebida no nosso país é muito mais antiga e os imigrantes italianos que aqui desembarcaram estão intimamente ligados à ela.

Nos idos de 1880 as plantações de café no interior de São Paulo cresciam e, com a abolição da escravatura, havia necessidade de outro tipo de mão de obra, foi, então, justamente nesse período que muitos italianos deixaram seu país de origem em busca de trabalho em plantações de café no Brasil.

Segundo registros, a população de Ribeirão Preto – SP era de 52.929, sendo que 27.765 eram italianos. Esses imigrantes vinham em família e muitos deles trabalhavam nas fazendas cafeeiras.

O Brasil com ajuda da mão de obra italiana, começou naquela época a mostrar a sua potência para a produção do café, tornando-se, nos tempos de hoje, um dos maiores produtores do grão no mundo e um dos países que mais consome a bebida.

Mas é certo que os italianos não somente vieram com o conhecimento para o cultivo do café, em sua bagagem também estavam presentes as tradições em torno dessa bebida.

Se pensamos que já em 1720 em Venezia o Caffè Florian já estava aberto, podemos ter uma ideia de como os italianos já eram apreciadores da bebida muito antes de chegarem ao Brasil.

«vi siete mai chiesti cos’è il caffè? Il caffè è una scusa. Una scusa per dire a un amico che gli vuoi bene.» Luciano da Crescenzo.

Seja na Itália ou no Brasil, o café virou muito mais do que uma bebida, passou a ser uma desculpa para encontrar com seus amigos, um momento de encontros profissionais, sociais, ou simplesmente aquela pausa no meio da tarde para relaxar e recarregar as energias para continuar o dia.

Na Itália, depois da segunda grande guerra, nasceu em Napoli a tradição do Caffè Sospeso. Essa tradição, viva até hoje, é uma genuína demonstração de empatia: você paga dois cafés no bar, um você consome e deixa o outro em sospeso (em aberto), esse segundo café será oferecido pelo dono do bar a uma pessoa que não pode pagar por uma xícara de café.

Opa, beber café no bar? Isso mesmo, na Itália o caffè também é chamado de bar e é o lugar onde o italiano começa o seu dia: tomando café da manhã em um bar, de preferência no mesmo de sempre.

Assim como a cafeteria faz parte da rotina dos italianos, nós brasileiros também temos um apreço por esse lugar e o frequentamos seja para tomar um espresso, um pingado, um cappuccino, um café com leite, um macchiato…

São tantos os tipos de café que nem paramos mais para pensar qual a origem de cada um deles, afinal, isso parece não importar tanto, seja italiano ou brasileiro, o café também é um elo que une as duas culturas e temos um clássico exemplo disso: o famoso cappuccino brasileiro.

Dica de filme

Na Netflix: Caffè Sospeso. Documentário sobre a origem da tradição e como ela se difundiu também na Argentina e nos Estados Unidos.

Bônus: minha experiência com café na Itália

Quando penso na cidade onde morei, Perugia, a primeira coisa que me vem é o cheiro de café e cheiro do cornetto quente pela manhã que perfumavam os corredores da universidade.

O espresso italiano é um golinho, muito amargo e forte. Quando o bebi pela primeira vez achei o gosto horrível, parecia que o grão tinha uma torra muito escura, quase um gosto de queimado.

Mas com os vários cafés bebidos com os amigos da Università Per Stranieri di Perugia (onde me especializei), passei a adorar o café italiano… E bem… não sei até hoje se exatamente o sabor por si ficou melhor ou se a experiência social de beber um café em momentos tão agradáveis tornaram o clássico espresso um dos melhores cafés que já bebi na vida.

E a sua experiência com o caffè na Italia, como foi? Conte-me aqui nos comentários!